ILS Categoria III e a Copa de 2014

O sistema de aproximação e pouso por instrumento, utilizado pela aviação comercial do mundo inteiro e conhecida pela sigla ILS, abreviatura em inglês para “Instrument Landing System”, que permite a aproximação e pouso de aeronaves mesmo com visibilidade restrita e teto baixo, começou a ser testado nos EUA nos idos de 1929. Mais precisamente em 26 de janeiro de 1938 ocorreu o primeiro pouso no mundo de uma aeronave civil de passageiros com auxílio do famoso ILS. No meio de uma forte nevasca que restringia bastante a visibilidade e teto, um Boeing 247D da Pennsylvania-Central Airlines, procedente de Washington, pousou com segurança no aeroporto de Pittsburg (Pensylvânia-EUA). Era o início de uma nova era na aviação comercial mundial.

Mas como é possível para pilotos pousar um avião com a visibilidade restrita e teto baixo?

Basicamente o funcionamento do ILS é muito simples: durante uma aproximação, sinais de rádio orientam a trajetória de voo lateral do avião (esquerda-direita) através de uma antena localizada no final da pista de pouso e a trajetória de voo vertical (para cima ou para baixo) através de uma antena localizada ao lado da pista. Sofisticados instrumentos na cabine de comando dos aviões captam estes sinais e indicam aos pilotos a trajetória lateral e vertical ideal para chegarem com segurança até a pista de pouso.

Nos anos 60, visando diminuir os cancelamentos e atrasos nos voos devido ao mau tempo, os ingleses começaram a trabalhar na aproximação e pouso com zero de teto e zero de visibilidade. Chegou-se então ao ILS Categoria III, no qual é possível a aproximação e pouso sem visibilidade alguma! Em 1962 ocorreu o primeiro pouso totalmente automático de um avião comercial, o qual comprovava ser capaz de pousar uma aeronave com segurança independentemente de visibilidade e teto. Em 1964 a Alitalia foi a primeira companhia a ser certificada para operar ILS Categoria III e em 1965 ocorreu o primeiro pouso feito pelo piloto automático (auto-landing) em um voo regular de passageiros no mundo (Heathrow, Londres). Era o início da era das aproximações e pousos que não dependiam mais de visibilidade.

Ou seja: a tecnologia para aproximações e pousos sem visibilidade já existe há 47 anos! E, você, caro leitor, que viaja de avião, o que tem a ver com tudo isso?

Muita coisa. Por acaso você já teve a desagradável experiência de estar chegando em Curitiba e ouvir o comandante do avião anunciar que, devido ao aeroporto Afonso Pena estar fechado para pousos e decolagens, o pouso seria feito em Joinville? Ou você nunca perdeu compromissos em São Paulo porque o seu voo que sairia às sete da manhã havia sido cancelado por conta do nevoeiro? Agora imagine como ficarão os vôos nacionais e internacionais durante nossa Copa do Mundo de 2014 sem o ILS categoria III instalado nos principais aeroportos do país? Cada vez que o Aeroporto Internacional de Guarulhos fecha por causa do nevoeiro é um caos geral, com avião alternando para todo lado e dezenas de conexões com voos domésticos sendo perdidas.

Apenas neste ano, conforme dados da INFRAERO, em 57 dias o aeroporto Afonso Pena teve suas operações interrompidas por conta do nevoeiro, ocasionando o cancelamento de 279 voos.

Agora, pasme, caro viajante: o Brasil não tem até hoje, transcorridos quase meio século de homologação do ILS Categoria III, nenhum aeorporto com este fantástico recurso.

Quem sabe antes de me aposentar eu venha a ter o privilégio e o prazer de fazer um pouso no nosso querido Afonso Pena utilizando o ILS Categoria III.

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